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Quem somos?

Esse blog tem intuito de difundir o batuque do Rio Grande do Sul. A base do blog é as pesquisar feitas por seu fundador, Rodrigo Heck. Cujo é Babalorixá da nação de Cabinda, e também cacique de Umbanda e Quimbandeiro. Os textos aqui publicados têm referencias bibliográficas de livros, internet e textos obtidos nos fóruns que o autor participa. Esse blog é aberto à discussão, e pedimos a colaboração de todos os amigos que visitarem que deixem seus comentários, sugestões e criticas, para que possamos melhor a cada dia nosso trabalho.

Jogo de búzios e cartas com hora marcada

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sábado, 12 de junho de 2010




Batuque é uma Religião Afro-brasileira de culto aos Orixás encontrada principalmente no estado do Rio Grande do SulBrasil, de onde se estendeu para os países vizinhos tais como Uruguai e Argentina.
Batuque









Princípios Básicos
Deus
Ketu | Olorum | Orixás
Jeje | Mawu | Vodun
Bantu | Nzambi | Nkisi

































Batuque é fruto de religiões dos povos da Costa da Guiné e da Nigéria, com as nações JêjeIjexáOyó,Cabinda e Nagô.

Índice

 [esconder]


História


A estruturação do Batuque no estado do Rio Grande do Sul deu-se no início do século XIX, entre os anos de 1833 e 1859 (Correa, 1988 a:69). Tudo indica que os primeiros terreiros foram fundados na região de Rio Grande e Pelotas. Tem-se notícias, em jornais desta região, matérias sobre cultos de origem africana datadas de abril de 1878, (Jornal do Comércio, Pelotas). Já em Porto Alegre, as noticias relativas ao Batuque, datam da segunda metade do século XIX, quando ocorreu a migração de escravos e ex-escravos da região de Pelotas e Rio Grande para Capital. Lembrando sempre que a língua usada é a Yoruba
Os rituais do Batuque seguem fundamentos, principalmente das raízes da nação Ijexá, proveniente daNigéria, e dá lastro as outras nações como o Jêje do Daomé, hoje BenimCabinda (enclave Angolano) eOyó, também, da região da Nigéria. O Batuque surgiu como diversas religiões afro-brasileiras praticadas no Brasil, tem as suas raízes na África, tendo sido criado e adaptado pelos negros no tempo daescravidão. Um dos principais representantes do Batuque foi o Príncipe Custódio de Xapanã. O nome batuque era dado pelos brancos, sendo que os negros o chamavam de Pará. É da Junção de todas estas nações que se originou esta cultura conhecida como Batuque, e os nomes mais expressivos da antiguidade, que de uma maneira ou de outra contribuíram para a continuidade dos rituais foram:

  • Ijexá — Paulino de Oxalá Efan, Maria Antonia de Assis (Mãe Antonia de Bará), Manoel Matias (Pai Manoelzinho de Xapanã), Jovita de Xangô; Miguela do Bará, Pai Idalino de Ogum, Estela de Yemanjá, Ondina de Xapanã, Ormira de Xangô, Pedro de Yemanjá,Pai Tuia de Bará,Pai Tita de Xangô; Menicio Lemos da Yemanjá Zeca Pinheiro de Xapanã, Mãe Rita de Xangô Aganju,entre outros.
  • Oyó — Mãe Emília de Oyá Lajá, princesa Africana , Pai Donga da Yemanjá, Mãe Gratulina de xapanã, Mãe "Pequena" de Obá, Mãe Andrezza Ferreira da Silva, Pai Antoninho da Oxum, Nicola de Xangô, Mãe Moça de Oxum, Miguela de Xangô, Acimar de Xangô, Toninho de Xangô e Tim de Ogum, entre outros.
  • Jêje — Mãe Chininha de Xangô, Príncipe Custódio de Xapanã, João Correa de Lima (Joãozinho do Exú By) responsável pela expansão do Batuque no Uruguai e Argentina, Zé da Saia do Sobô, Loreno do Ogum, Nica do Bará, Alzira de Xangô, Pai Pirica de Xangô;Mãe Dada de Xangô; Leda de Xangô; Pai Tião de Bará; Pai Nelson de Xangô, Pai Vinícius de Oxalá entre outros.
  • Cabinda — Waldemar Antônio dos Santos de Xangô Kamuká; Maria Madalena Aurélio da Silva de Oxum, Palmira Torres de Oxum, Pai Henrique de Oxum, Pai Romário de Oxalá, Pai Gabriel da Oxum,Mãe Marlene de Oxum, Pai Cleon de Oxalá, Pai Mário da Oxum, Pai Nazário do Bará, entre outros.
As entidades cultuadas são as mesmas em quase todos terreiros, os assentamentos tem rituais e rezas muito parecidos, as diferenças entre as nações é basicamente em respeito as tradições próprias de cada raiz ancestral, como no preparo de alimentos e oferendas sagradas. O Ijexá é atualmente a nação predominante, encontra-se associado aos rituais de todas nações.


Crenças

Filhos de santo
O batuque é uma religião onde se cultuam vários Orixás, oriundos de várias partes da África, e suas forças estão em parte dentro dos terreiros, onde permanecem seus assentamentos e na maior parte na natureza: rios, lagos, matas, mar, pedreiras, cachoeiras etc., onde também invocamos as vibrações de nossos Orixás.
Todo ser humano nasce sob a influencia de um Orixá, e em sua vida terá as vibrações e a proteção deste Orixá que está naturalmente vinculado e rege seu destino, com características individuais, em que o Orixá exige sua dedicação, onde este poderá ser um simples colaborador nos cultos, ou até mesmo se tornar um Babalorixá ou Iyalorixá.
Há uma questão de ordem etmológica no Termo Pará, onde afirma-se ser este o outro nome pelo qual é conhecido o Batuque, ora sabe-se que todo frequentador de Terreiros chama na verdade o Peji ou quarto-de-santo de Pará e não o ritual sagrado dos Orixás, este sim o Batuque. Esta questão já está dimensionada desde os anos 50, nas pesquisas etnográficas de Roger Bastide sobre a Religião Africana no Rio Grande do Sul. São consideradas Religiões afro-brasileiras, todas as religiões que tiveram origem nas Religiões tradicionais africanas, que foram trazidas para o Brasil pelos escravos.
As Religiões afro-brasileiras são relacionadas com a Religião Yorubá e outras Religiões africanas, e diferentes das Religiões Afro-Caribenhas como a Santeria e o Vodu.


Orixás

Roupas da cor dos Orixás e fios de contas
O culto, no Batuque, é feito exclusivamente aos Orixás, sendo o Bará o primeiro a ser homenageado antes de qualquer outro, e encontra-se seu assentamento em todos os terreiros, no Candomblé o chamam de Exú.
Entre os Orixás não há hierarquia, um não é mais importante do que o outro, eles simplesmente se completam cada um com determinadas funções dentro do culto. Os principais Orixás cultuados são: BaráOgumOiá-IansãXangôIbeji (que tem seu ritual ligado ao culto de Xangô e Oxum), OdéOtimObaOsanhaXapanãOxumIemanjáOxalá e Orunmilá (ligado ao culto de Oxalá).
E há também divindades que nem todas nações cultuam como: Legba, Gama (ligada ao culto de Xapanã), Zína, Zambirá e Xanguín (qualidade rara de Bará) que só os mais antigos tem conhecimentos suficientes para fazer seus rituais.


Templos


No Rio Grande do Sul a área de conservação das religiões africanas vai de litoral à fronteira do Uruguai, com os dois grandes centros dePelotas e de Porto Alegre.

No batuque, os templos terreiros são quase que em sua totalidade vinculados as casas de moradia. É destinado um cômodo, geralmente na parte da frente da construção onde são colocados os assentamentos dos Orixás. Neste local são feitos todos os fundamentos de imolações e trabalhos determinados, oferendas para os Orixás, e o local é considerado sagrado, pessoas vestidas de preto, mulheres em dias de menstruação não entram. Junto a esta parte da casa, chamada de quarto de Santo ou Peji, há o salão onde são realizadas as festas para osOrixás.
O estado do Rio Grande do Sul foi o maior responsável pela exportação dos rituais africanos para outros países da América do Sul, entre elesUruguai e Argentina, que também procuram seguir a maneira de cultuar os Orixás, e a construção dos templos seguem exemplos dos seussacerdotes.
Todos os Orixás são montados com ferramentas, Okutás (pedras) etc. e permanecem dentro da mesma casa, com exceção do Bará Lodê e do Ogum Avagãn, que tem seus assentamentos numa casa separada, ficando à frente do templo onde recebem suas oferendas e sacrifícios. A casa dos Eguns também tem lugar definido, é uma construção separada da casa principal, na parte dos fundos do terreiro, onde são feitos diversos rituais.
Em caso de falecimento do Babalorixá ou Iyalorixá, dono do terreiro, fica a critério da família o destino do templo, geralmente não tendo um familiar que possa suceder o morto o templo é fechado. Na maioria dos casos na morte de um sacerdote, todas as obrigações são despachadas num ritual especifico chamado de Eresum, semelhante ao Axexê do Candomblé, por este motivo é muito difícil encontrar ilês (casas) com mais de 60 anos, são muito poucos os sacerdotes que destinam seus axés a um sucessor, para dar prosseguimento à raiz.


Rituais

Os rituais são próprios e originais e embora tenha alguma semelhança com o "Xangô de Pernambuco", é muito diferente do Candomblé da Bahia.
Os rituais de Jêje tem suas rezas próprias (fon), e ainda se vê este belo ritual em dois grandes terreiros na cidade de Porto Alegre, as danças são executadas de par, um de frente para o outro. Há também muitas casas que seguem os fundamentos da nação Oyó que se aproxima muito do ijexá, já que, estas duas provem de regiões próximas na Nigéria.
A principal característica do ritual do Batuque é o fato do iniciado não poder saber em hipótese alguma que foi possuído pelo seu Orixa, sob pena de ficar louco.
Cada Babalorixá ou Iyalorixá tem autonomia na prática de seus rituais, não existem nomenclaturas de cargos como tem no Candomblé, exercem plenos poderes em seus ilês. Os filhos de santo se revezam nos cumprimentos das obrigações.
No mínimo uma vez por ano são feitos homenagens com toques para os Orixás, mas as festas grandes são de quatro em quatro anos. Chamamos de festa grande a obrigação que tem ebó, ou seja quando há sacrifícios de animais de quatro patas aos Orixás, cabritoscabrascarneirosporcosovelhas, acompanhados de aves como galosgalinhas e pombos.
Esta obrigação serve para homenagear o Orixá "dono da casa" e dos filhos que ainda não possuem seu próprio templo. A data é geralmente a mesma que aquele sacerdote teve assentado seu Orixá, a data de sua feitura. As festas têm um ciclo ritual longo, que antigamente duravam 32 dias de obrigações, hoje diante das dificuldades duram no máximo 16. O começo de tudo são as limpezas de corpo e da casa, para descarregar totalmente o ambiente e as pessoas, de toda e qualquer negatividade; em seguida são preparados as oferendas e sacrifícios ao Bará. A partir deste momento, os iniciados já ficam confinados ao templo, esquecendo então o cotidiano e passam a viver para os Orixás por inteiro até o final dos rituais. No dia do serão (dia da obrigação de matança), todos Orixás recebem sacrifícios de animais. Os cabritos e aves são preparados com diversos temperos e servidos a todos que participarem dos rituais, tudo é aproveitado, inclusive o couro dos animais, que sevem para fazer os tambores usados nos dias de toques.
No dia da festa o salão é enfeitado com as cores dos Orixás homenageados. A abertura se dá com a chamada (invocação aos Orixás), feita pelo sacerdote em frente ao peji (quarto de santo), usando a sineta (adjá), saudando todos Orixás. Ao som dos tambores, as pessoas formam uma roda de dança em louvor aos Orixás, a cada um com coreografias especiais de acordo com suas características.
No final das cerimônias são distribuídos os mercados, (bandejas contendo todo tipo de culinária dos Orixás como: acarajé, axoxó (milho cozido e fatias de coco), farofa de aves, carnes de cabritos (cozidas ou assadas), frutas, fatias de bolos etc.), alguns consomem ali mesmo, outros levam para comer em casa.
Durante a semana são feitos outros rituais de fundamentos para os Orixás, inclusive a matança de peixe, que para os batuqueiros significa fartura e prosperidade, os peixes oferecidos são da qualidade Jundiá e Pintado; estes são trazidos vivos do cais do porto ou do mercado público, onde o comércio de artigos religiosos é intenso.
No sábado seguinte é feito o encerramento das obrigações, com mesa de Ibejes e toque, novamente em homenagem aos Orixás, neste dia são distribuídos mercados com iguarias e o peixe frito, significando a divisão da fartura e prosperidade com os participantes das homenagens aos Orixás. Após o encerramento, o sacerdote leva os filhos que estavam de obrigações ao rio, à igreja, ao mercado público e à casa de alguns sacerdotes, que fazem parte da família religiosa, para baterem cabeça em sinal de respeito e agradecimento; este passeio faz parte do cumprimento dos rituais. Após o passeio todos estão liberados para seguirem normalmente o cotidiano de suas vidas.


Egun

No Batuque também temos a parte dos rituais destinados ao culto dos Eguns. Este é um ritual cheio de magia e segredos onde poucos sacerdotes têm o completo domínio.
A casa dos Eguns (espíritos dos mortos) fica numa construção separada da casa principal, nos fundos do terreno, onde são feitos diversas obrigações em determinadas datas e quando morre alguém ligado ao terreiro; este local é denominado Balê.
Aos Eguns também são oferecidos sacrifícios de animais, e comidas diversas que fazem parte somente deste ritual, não podendo ser usados em outras ocasiões.
Os Eguns, assim como os Orixás, tem suas rezas (cânticos) próprias, feitos na linguagem yorubá, e em dias de obrigações recebem toques ao som de tambores frouxos e com o acompanhamento de agê (instrumento feito com uma cabaça inteira trançada com cordão e contas diversas).
Cada nação tem rituais diferentes para este tipo de obrigação.


Sacerdócio

babalorixá ou Iyalorixá tem a responsabilidade de formar novos sacerdotes, que darão continuidade aos rituais. Para isto é preciso preparar novos filhos de santo, que durante um certo período de tempo aprenderão todos os rituais para preservação dos cultos.
O sacerdote chefe deve passar aos futuros Pais ou Mães de Santo, todos os segredos referente aos rituais tais como: uso das folhas (folhas sagradas), execução de trabalhos e oferendas, interpretação do jogo de búzios, e até mesmo como preparar um novo sacerdote.
Geralmente o futuro sacerdote já nasce no meio religioso, onde conviverá acompanhando todos os diversos rituais que darão suporte a seus afazeres dentro do culto, e terá pleno conhecimento de todos os tipos de situações que enfrentará em seu futuro templo.
O tempo de aprendizado é longo, não se forma um verdadeiro sacerdote de Orixás com menos de sete anos de feitura, e os ensinamentos são passados de acordo com a evolução da capacidade de aprendizado que o noviço tem, já que os ensinamentos são feitos oralmente, não há livros para ensinar os rituais, a melhor maneira de aprender tudo é conviver desde cedo dentro dos terreiros.
A partir do momento que um noviço se torna um sacerdote de Orixá, terá as mesmas responsabilidades daquele que lhe passou os ensinamentos.


Retirado do site http://pt.wikipedia.org/wiki/Batuque

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Esse artigo foi publicado no site Neandertal em resposta ao texto da Virginia de Oxalá. Acompanhe nossos textos tanto aqui no GanLabí como também no neandertal.com.br.


Virginia, irei escrever meu texto com base no que escreveste.



Vou falar um pouco de Egun, Axexé, Balé, e outras coisas referentes ao culto dos ancestrais.
Vou fazer ressalvas para o seguinte. A concepção religiosa da morte está contida na própria concepção da vida e ambas não se separam. Ou seja, nossa vida religiosa somente tem significado quando tudo termina e nesse momento se faz um novo começo. Por esse motivo que se deve ter respeito e principalmente se deve conhecer os rituais fúnebres de nossa religião, rito tão importante para o religioso africano pois somente após esse ritual que se dará como terminada a vida religiosa aqui no Àiyé (mundo - Terra) e se começará a nova vida no Òrun (Mundo espiritual).

O povo do santo “o Batuqueiro”, mistificou por demais esse ser, o “Egun”, causando até mesmo medo nas pessoas. Contudo, esse medo que se estabelece, distância os religiosos do ritual mais importante da religião, o ritual de desligamento do Àiyé e a passagem para o Òrun. As pessoas que ainda detém o conhecimento dos rituais fúnebres devem passar para seus descendentes religiosos, pois somente assim que fará a proliferação do Axé. Por isso fica o toque da Virginia sobre o Atété (cânticos para Egun), que como vai se aprender se ninguém ensinar. E com isso vai se perdendo a verdadeira essência da religião.

Egún ou Egúngún, são espíritos dos mortos ancestrais, tanto pode ser da família, como de antepassados da Religião Africana (espíritos de desencarnados de nossa Gôa religiosa). O culto aos mortos não é de exclusividade do povo africano. Ele faz parte de quase todas as civilizações. São muitas as culturas que fazem ritos parecidos com os praticados por nos (Batuqueiros). Ritos esses, que são praticados com intuito de fazer com que o espírito do desencarnado seja recebido de braços abertos pelo mundo espiritual. Por isso no ritual são servidos inúmeros pratos com as mais diversas comidas, fumos, bebidas e muitas outras coisas que acompanham esse ritual, para que o espírito receba um grande banquete de celebração no Òrun (mundo espiritual).

Falando um pouco do Balé.

Ygbàlè ou também como é conhecido Balé, é a casa dos mortos. Casa essa que é estabelecida em uma construção dentro do pátio do centro religioso. Local esse que serve como base para os assentamentos, que são chamados de idi-egungun, estes são elementos que individualizam e identificam o Egun ali cultuado. E oojubô-babá, que é um buraco feito diretamente na terra é onde são colocadas as oferendas e sacrifícios para o Egun ali assentado.
Virginia, quando citaste um buraco feito no mato, possivelmente se refere a um ritual praticado por pessoas que não possuem seu Igbàlè, pois ai sim se abre um buraco próprio para se fazer o sacrifício e encaminhamento do Egun. Pois do contrario tudo é feito no Igbàlè, até mesmo o dano, pois lá já se encontra o buraco.

Mito de Egun

Na cidade de Oyó um fazendeiro chamado Alapini, que tinha três filhos chamados Ojéwuni, Ojésamni e Ojérinlo. Um dia Alapini foi viajar e deixou recomendações aos filhos para que colhessem os inhames e os armazenassem, mas que não comessem um tipo especial de inhame chamado ‘ihobia’, pois ele deixava as pessoas com uma terrível sede.
Seus filhos ignoraram o aviso e o comeram em demasia. Depois, beberam muita água e, um a um, acabaram todos morrendo. Quando Alapini retornou, encontrou a desgraça  em sua casa.
 Desesperado, correu ao babalaô que jogou Ifá para ele. O sacerdote disse que ele se acalmasse, e que após o 17º dia fosse ao ribeirão do bosque e executasse o ritual que foi prescrito no jogo. Ele deveria escolher um galho da árvore sagrada atori e fazer um bastão (assim é feito o ixã). Na margem do ribeirão, deveria bater com o bastão na terra e chamar pelos nomes dos seus filhos, que na terceira vez eles apareceriam.
Mas ele também não poderia esquecer-se de antes fazer certos sacrifícios e oferendas. Assim ele o fez; seus filhos apareceram.
Mas eles tinham rostos e corpos estranhos; era então preciso cobri-los para que as pessoas pudessem vê-los sem se assustarem. Pediu que seus filhos ficassem na floresta e voltou à cidade.
Contou o fato ao povo, e as pessoas fizeram roupas para ele vestir seus filhos. Desse dia em diante ele poderia ver e mostrar seus filhos a outras pessoas; as belas roupas que eles ganharam escondiam perfeitamente sua condição de mortos. Alapini e seus filhos fizeram um pacto: em um buraco feito na terra pelo seu pai (ojubô), no mesmo local do primeiro encontro (igbo igbalé), ali seriam feitas as oferendas e os sacrifícios e guardadas as roupas, para que eles as vestissem quando o pai os chamasse através do ritual do bastão. Seguindo o pacto e as instruções do babalaô, de que sempre que os filhos morressem fosse realizado o ritual após o 17º dia, pais e filhos para sempre se encontraram.
E, para os filhos que ainda não tiverem roupas, é só pedir às pessoas que elas as farão com imenso prazer. Esta lenda é rica em detalhes, nos explica vários ritos e títulos utilizados no culto.

Considerações: Nosso trabalho escrevendo esses artigos não visa nenhuma forma de ganhar dinheiro, como foi nos colocado por e-mail. Até por que, eu, não viso usufruir de nossa religião com fins lucrativos. O que viso é divulgar meu estabelecimento comercial. Pois esse sim é, meu ganha pão.

Agradeço a todos que leem e principalmente aos que colaboram, com criticas, sugestões ou referencias para enriquecer nosso conhecimento. Como um bom aprendiz, sei que nunca aprenderei o suficiente por isso nunca desistirei de aprender.

Um Axé a todos.
Rodrigo D’ Xapanã Sapatá

quarta-feira, 2 de junho de 2010


O povo Africano pela primeira vez recebe os jogos de uma Copa do Mundo. Um povo de crenças, mitos e ritos com um valor cultural enorme, mesmo para os descrentes da sua cultura negra. A poucos dias de anteceder a Copa, os jornais, revistas e algumas emissoras de televisão, captaram uma demonstração de fé do povo africano. Foi reunido no principal palco da copa, estádio que sediara a abertura e o encerramento dos jogos, sacerdotes Áfricanos, que vieram abençoar o evento, e desejar que os jogos sejam de grande sucesso, tanto para o povo Africano, quanto para os visitantes que virão de todo mundo, para assistir os jogos. Os sacerdotes africanos evocaram, louvaram e ofertaram, o Orixá Bará, senhor dos caminhos na mitologia Yorubá, para que o mesmo traga paz e tranqüilidade e caminhos abertos a todos que visitarem os jogos da África.
Orixá Bará, é na cultura Yorubá o primeiro a ser ofertado, pois é o mensageiro dos demais Orixás, cujo sem ele, nossos louvores, pedidos e agradecimento, não chegariam ao ouvido dos Orixás. Nele encontraremos um Orixá prestativo e presente, segurando todas nossas futuras necessidades. Como dono das chaves, dos portais, encruzilhadas, caminhos e comércio, deve sempre ter suas saudações realizadas. Por isso que foi no estádio principal da copa, ofertado para Bará suas iguarias ritualísticas.
Bará, é normalmente lembrado aqui no Rio Grande do Sul no dia 13 Junho, dia de Santo Antonio, seu sincretismo na religião católica.
 

A referencia de sincretismo é uma das muitas coisas que devemos ao povo Africano. Pois com a vinda de escravos de varias partes do continente africano para o Brasil, também vieram suas crenças e seus mitos. Os “senhores brancos” que assim eram chamados pelo povo negro oriundo da áfrica, tinham sua devoção ligada ao catolicismo, e não aceitavam que seus criados tivessem crenças que divergissem dos mandamentos da Bíblia e dos fundamentos cristãos. Os cultos e as crenças que vieram da África, eram até mesmo sub-julgados atos de adoração ao demônio relatado na crença cristã.
Com o objetivo de continuar a cultuar seus Orixás, mas sem gerar atrito com seus senhores, os cultos foram mascarados através do “sincretismo” feito pelas Imagens católicas, que escondiam os Ocutás (pedras) dos Orixás e seus fundamentos religiosos. Os santos católicos que se aproximassem mais por suas peculiaridades e características com as peculiaridades dos Orixás, eram assim representados. Nasceu com isso o sincretismo dos Orixás com Santos Católicos. Dessa forma o Santo Católico que serviu com sincretismo para o Orixá Bará, foi Santo Antonio.


Fico feliz de ver uma copa sendo sediada na África, pois com certeza o povo africano ira oferecer um grande espetáculo. Pois um povo alegre, que prima pela paz, mostrara a África dos Orixás, nos encantando com seu Axé (força). Eu fico aqui em frente a minha telinha na torcida e fazendo meus pedidos para que os Orixás e principalmente Bará, abra os caminhos dos nossos jogadores e eles consigam voltar com o caneco mais desejado do mundo. E que nossos irmãos do continente africano que me desculpem mais no futebol vou torcer por nosso Brasil.

Rodrigo D’Xapanã Sapatá
Diretor e proprietário de GanLabí Artigos Religiosos.
Telefone: (51) 3434.1203