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Quem somos?

Esse blog tem intuito de difundir o batuque do Rio Grande do Sul. A base do blog é as pesquisar feitas por seu fundador, Rodrigo Heck. Cujo é Babalorixá da nação de Cabinda, e também cacique de Umbanda e Quimbandeiro. Os textos aqui publicados têm referencias bibliográficas de livros, internet e textos obtidos nos fóruns que o autor participa. Esse blog é aberto à discussão, e pedimos a colaboração de todos os amigos que visitarem que deixem seus comentários, sugestões e criticas, para que possamos melhor a cada dia nosso trabalho.

Jogo de búzios e cartas com hora marcada

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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015








Caminhos da Religiosidade Afro-Riograndense

Batuque, umbanda, quimbanda.Três formas religiosas distintas, mas uma mesma direção


O Nação de hoje apresenta a primeira parte do documentário “Caminhos da Religiosidade Afro-Riograndense”.

O filme é resultado de um trabalho realizado pelo publicitário e cientista político José Francisco de Souza Santos da Silva e pelo mestrando em antropologia social Rafael Deròis Santos. O documentário traça um panorama das religiões de matriz africana praticadas no Rio Grande do Sul e também provoca uma reflexão sobre a importância dessas religiões enquanto patrimônio cultural afro-gaúcho, além de apresentar uma entrevista com os dois realizadores do documentário.




Apresentação: Domício Grillo
Produção Executiva: Vera Cardozo

Parte 2 



Pegue um espiga de milho bem bonita, afaste as palhas e coloque um papel escrito com o nome da pessoa que lhe deve dinheiro.

Feche as palhas, amarre a espiga, pendure acima da porta de entrada de sua casa e diga:
“Vem fulano (diga o nome), vem trazer o meu dinheiro! Vem que eu preciso dele inteiro”.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

O JEJE DA ÁFRICA AO  BRASIL
A história do desenvolvimento do império crescente do Dahomey é indispensável para compreendermos os Voduns, precisamente a quebra e a migração do Ewe/Fon.
Alguns estudiosos da cultura africana achavam que todos os Voduns cultuados em Dahomey eram DIVINDADES originárias dos yorubanos.  Um grande equívoco!  Trata-se simplesmente de uma troca de atributos culturais de cada região.
Em todas as regiões, as divindades africanas são louvadas, sejam ancestrais ou vindas de outras regiões, mas preferencialmente cada região cultua suas próprias divindades, os ancestrais.
 As divindades estrangeiras podem ser aceitas inteiramente nos santuários dos Voduns locais, embora permaneçam sempre como estrangeiros.  O mesmo tratamento é dado em terras yorubás aos Voduns originários de outras regiões.
Dahomey, cuja capital era Abomey, foi o principal reino da história do atual Benin.

Seu poderio militar formado por bravos guerreiros e amazonas era temido por todos os reinos vizinhos que foram sendo conquistados.
O exército do rei era dividido em duas partes: o regimento permanente e o regimento das coletas tribais (prisioneiro).  Esses prisioneiros eram treinados para serem guerreiros do rei e as mulheres, em especial, eram enviadas ao regimento das amazonas onde aprendiam a lutar. Os prisioneiros que se negavam a aderir as causas do rei eram sumariamente executados ou vendidos como escravos. Os chefes das tribos conquistadas ficavam reservados para serem executados durante o festival anual de ancestrais, em memória dos reis mortos.  Suas cabeças eram decapitadas e seu sangue oferecido aos falecidos reis. Essa pratica aconteceu do séc. XVI até o séc. XVII.
O reino de Dahomey foi o maior exportador de escravos para o nome mundo.
Vodou – Vodoun – Vodum – Voodoo – Voudun – Vodu – Vudu – Hoodoo - etc.
A palavra vodou é de origem Ewe/Fon e significa força divina, espírito, força espiritual. É usada pelo povo do oeste da África para designar os deuses e ancestrais divinizados.

No século XVIII o rei Agajá consolidou as crenças de vários clãs e aldeias, formando um “sistema espiritual dos Voduns”. Isso gerou uma enorme variação do termo, devido a quantidade de dialetos usados por esses clãs e aldeias, que somado a influência francesa, passaram a falar como entendiam.

Essa diversificação fonética dá-se também por conta dos idiomas de pesquisadores que “invadiram” a África, em busca de conhecimento sobre o Vodou. No Brasil, por exemplo, usamos o fonema Vodum.
A palavra Hoodoo não é uma variante de Vodou.  O Hoodoo é uma sociedade haitiana similar as que existem no Benin (Sociedade do Bo) e Ghana (Sociedade Jou-Jou), onde pessoas são preparadas para ler oráculos e fazer fórmulas mágicas usando elementos da flora, da fauna e do mineral.

Quando foi estabelecido o grande reino de Dahomey, lá não existia o culto de Voduns. Nessa época, o atual rei sentia a necessidade de uma assistência espiritual que o ajudasse a combater os problemas que o atormentava. Mandou chamar um bokono (adivinho) e pediu que esse consultasse os oráculos.

A conselho dos oráculos mandou vir de diversas regiões os Voduns e construiu seus templos. Com isso Dahomey passou a sitiar diversos clãs e aldeias de Voduns. Anos mais tarde, o rei Agajá fez a consolidação, como já foi dito.

No período da escravidão, muitos daomeanos foram levados para o novo mundo e com eles a cultura e o culto dos Voduns.

Os Voduns cultuados no Brasil são originário da África, sua práticas e tradições se mantiveram intacta como era no Dahomey (atual Benin) desde o começo dos tempos.
A nação Jeje sofreu por alguns anos uma queda em seus cultos, devido a falta de informações. Os mais antigos preferiram levar para o túmulo seus conhecimentos a passá-los aos que poderiam perpetuar os Voduns no Brasil.

Dos filhos de Jeje que ficaram perdidos, sem conhecimento sobre Voduns, uns mudaram de nação e outros resolveram investigar, buscar, pesquisar suas origens e levantar a bandeira da nação. Hoje, graças a essas pessoas, a nação Jeje voltou a crescer e a seguir a cultura que foi deixada pelos escravos.
Hoje, encontramos kwes e pessoas que realmente sabem o Culto dos Voduns, esses aprenderam na “própria carne” a passar seus conhecimentos e não deixar que nossa nação venha a sofrer novos abalos ou quedas. Com a proliferação de estudos e pesquisas sobre os Voduns, alguns dos mais velhos que ainda estão vivos resolveram colaborar e nos passar alguns conhecimentos.

A primeira coisa que os adeptos do Jeje devem aprender é a diferença entre Voduns e Orixás, (esse assunto vocês encontram no tópico Jeje África). Vodum é Vodum, Orixá é Orixá; Oya não é Vodum Jô. Aziri não é Oxum, Naetê não é Yemanja, etc.

Assim como na África, também fazemos Orixás dentro dos templos de Vodum, mas isso não os transforma em Voduns, eles são considerados deuses estrangeiros, aceitos em nossos templos. Esses Orixás são tão respeitados e venerados quanto os Voduns. Não existe discriminação nenhuma em relação aos dois deuses (Voduns/Orixás). Em templos de Orixás, também encontramos Voduns feitos, a única diferença é que no Jeje, não mudamos os nomes dos Orixás. Para nós Oya, Yansã são conhecida exatamente como Oya, Yansã. Já os Voduns em templos de Orixás mudam de nome, por exemplo, Vodum Dan/Bessen recebe o nome de Oxumarê, Sakpata recebe o nome de Omolu, etc. Esse diferença também é registrada na Nigéria, então, não é “coisa de brasileiro”.

Falar sobre os Voduns é uma tarefa de muita responsabilidade

Os Voduns são agrupados por famílias; Savaluno, Dambirá, Davice, Hevioso; que se subdividem em linhagens.
A sociedade daomeana é patrilinear e polígena, isto é, dá-se por linha paterna; o homem é casado com diversas mulheres. A sociedade organiza-se em sibs, grupos de irmãos que têm a mesma mãe e o mesmo pai, sem base territorial própria e subdividem-se em famílias.

Dá-se conta de 450 Voduns; alguns cultuados no Brasil outros não.  Acredita-se que com esse resgate poderá se ampliar nossos cultos e voltar a reverenciar Voduns, que tinham desaparecido devido a falta de informações, assim como admitir em templos esses Voduns encontrados.

O Brasil herdou vastos panteões de divindades que ficaram regionalizados de maneira que somente alguns Voduns tiveram domínio nacional
Vodum evoca o mistério e tudo que se refere ao divino.Desta maneira,a suspeita é retirada pelo menos no que diz respeito à essência ainda que permaneça nas manifestações um tanto que desviadas do fenômeno Vodum.
Na verdade, todos os elementos do universo são implicados no fenômeno Vodum.  Não é o que a mentalidade da imaginação do sul do Benin concebe de uma cosmogênese de Vodum: Vodum não é o gerador nem o criador do universo,mas seu elo com tudo da natureza,é uma mediação e a proteção do homem.
A religiosidade se manifesta num homem através do fenômeno Vodum,a motivação para que ele faça e use símbolos que  representem seu Vodum. Além disso os homens dizem que Vodum é um mistério, é o inefável quando se concentram nos elementos naturais, é o extraordinário, o herói e o poderoso em questões de existência humana.
O Fá, mensageiro do Vodum, intervém enquanto a criança está no útero materno.
Identifica o destino e se necessário,o altera. Semelhante a todos os nascimentos e através das situações existentes, Fá participa das iniciações dos Voduns. Curiosamente e paradoxalmente Vodum não acompanha seu iniciado na morte física. No enterro de um vodunsi são feitos rituais para remover o Vodum do morto. Aqui encontramos dois significados importantes: 
1)O Vodum toma conta dos vivos e não dos mortos. 
2)Vodum é um intermediário entre seu iniciado e Mawu e, quando ocorre a morte física, Vodum volta para Mawu.
Como princípio de mediação, Vodum tem um papel importante na organização da sociedade humana.
Texto Adaptado por Ifatola

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Relembrando as postagens anteriores, falamos sobre ancestralidade, descendência, agrupamento de divindades, escolhas boas ou má, culto ao Orí e livre-arbítrio. Nesta edição abordaremos a transferência do àse.

Qualquer iniciado, desde que tenha recebido um Eborí (Ebo de Orí), ele poderá abrir um Obì (nós de cola, um fruto de duas, três, quatro ou cinco partes) para comunicar-se com seu Orí, sabemos que isso é possível desde que o seu sacerdote passe o sistema e formas de interpretar, muitas vezes usando o sim e não para simplificar a comunicação. 


O Obì é uma das sementes sagradas mais antigas para comunicação com as divindades eOrí, na África é comum que os iniciados abram um Obì e comuniquem-se com Orí, o sacerdote usa este mesmo fruto para passar o seu àse, algumas vezes mastigando um pedaço do Obì durante rituais, ou apenas sacrificando um Obì para aquele indivíduo.

No Brasil, poucos sacerdotes liberam o Obì para que aquele indivíduo possa conversar com o seu Orí, da mesma forma que sabemos que é costume que os seus Igbá (Louças sagradas das divindades ou Orí) costumam ficar no templo.

No Batuque os Igbá, ficam todos no templo a menos que o indivíduo for abrir a sua casa, neste caso, os Igbá devem ser transportados até a nova casa, pelo seu sacerdote, há rituais para que os Igbá sejam levados, desde preparação da casa, com sacudimentos, limpezas e sacrifícios, esta é a única forma que sabemos que tradicionalmente ocorre, estes procedimentos proporcionam as condições necessárias para que as divindades se acomodem na próxima residência e consequentemente o àse dê continuidade na nova casa. 

Ainda neste artigo, lembramos que a responsabilidade com os Igbá pertencente ao iniciado, ficam de responsabilidade do mesmo tratar e alimentar as quartinhas, há raras excessos de pessoas que moram em outros países ou estados distantes que seria impossível dar Ose(sabão, ou quando neste caso seria limpar ou tratar) a cada dois meses no mínimo, neste caso quando solicitado o Bàbálòrìsà, Ìyálòrìsà, Bàbá-kékeré (padrinho) ou Ìyá-kékeré(madrinha), para que dê ose, quando abandonado o Igbá, por mais que seis meses, sem que o iniciado entre em contato e ou de uma satisfação, arria no meio do quarto de santo oIgbá-Orí e Igbá-òrìsà, para saber qual procedimento a seguir, que pela maioria das vezes é desfazer e despachar, motivo abandono do mesmo. 

E a vontade da divindade será feita, nos preparativos que finalizam o ano, para o ano novo, assim, não haverá Igbá abandonados no templo.

Sempre tenham em mente que uma divindade possui personificação e inteligência, jamais subestime a sua essencia.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015



Meu Povo!

2015 promete ser mais um ano de luta para nós Povo de Terreiro.

Precisamos alinhar nossas idéias e caminharmos juntos para a atransformação política que desejamos.

Por Isto Convidamos a todos e todas para a Reunião Organizativa da VII Marcha pela Vida e Liberdade Religioda do RS no dia 10 de janeiro de 2015 das 10 ao meio dia no Sindisprev - Trav Francisco Leonardo Truda 40 - 12 andar

Pauta - Seminario que precederá a Marcha

Apoios

Estrategias de Luta para Povo de Terreiro


Atenciosamente

​Comissão Organizativa


Conforme o artigo parte I, informamos a existência de Ìkójopò-òòsà ou Ìran-òòsà e quais recursos para que seja estabelecido o vinculo com tais ancestralidades, sabemos que além destes recursos, ainda deveremos ficar atentos ao caráter e personalidade do indivíduo. 

Um ponto ao qual o iniciado deve se dedicar quando deseja cultuar Orí e sua Ancestralidade, e não cometer atos que gerem desequilíbrio ao seu Orí, para a lei dos homens, há regras que a sociedade estipula que devem ser observadas e ao mesmo tempo respeitadas, como não roubar, não matar entre outras, sabemos que além das punições que a própria lei poderá cobrar, há também os desequilíbrios e cobranças do próprio espiritual. Um dos fatores que poderá proporcionar a exclusão de um templo caso o indivíduo possa ser um perigo para o templo religioso, ou seja, os desvios de conduta possam gerar problemas a tal ponto que o sacerdote possa querer quebrar o vinculo com aquele indivíduo, por falta de comprometimento com os bons costumes e regras daquele templo, sem que o sacerdote se comprometa com o espiritual daquele indivíduo. Sabemos que muitas vezes para proteger a comunidade ele poderá eliminar o mau, seja espiritual ou material.

O livre-arbítrio é o maior mecanismo de abstenção da culpa e do compromisso, pois a maioria dos que usam a sua escolha para algo, e a liberdade de escolha para qualquer caminho, ele deve assumir toda a e qualquer responsabilidade, deixando claro que ele será o único responsável quando houver uma má escolha, desde que este indivíduo não tenha sido induzido à má escolha. Por outro lado, o livre-arbítrio, além de ser um mecanismo de auto flagelação por consequência, ele livra o sacerdote dos compromissos com o indivíduo, afinal cada um é livre para escolher o seu caminho, desde que não prejudique a comunidade ele poderá seguir por onde quiser, caso contrário o sacerdote terá o dever de intervir caso algum indivíduo possa prejudicar aquela comunidade, assim o sacerdote estará protegendo a sua comunidade.

Talvez o maior vilão do ser humano não seja a punição a qual ele se envolve, mas sim a tendência para a má escolha, e os os erros que ele poderá cometer diante das más escolhas, o que sabemos que não é da responsabilidade do sacerdote quando este indivíduo insiste nas más escolhas.

O culto ao Orí, abre caminhos e oportunidades para que o indivíduo possa prosperar e crescer, vai dele escolher sempre o melhor para si, desviar de um caminho honesto e correto, pode lhe causar danos, podendo até que responder judicialmente, porem não cabe a nós julgar ou conviver com isso, basta eliminar as más escolhas, caso não consiga elimine os elementos que trazem má influencia ou possam prejudicar a comunidade, desta forma protegera aqueles que são honestos e procuram a espiritualidade.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Documentário produzido pelo Canal Futura, falando sobre espiritualidade das religiões negras no Brasil.



Mojubá é uma saudação em Ioruba. É também o nome dos sete documentários sobre religiosidade de matriz africana, quilombos e cultura afro-brasileira a serem exibidos a partir do mês de novembro no Futura. A série, que faz parte do projeto A Cor da Cultura, pretende mostrar as características dos orixás das religiões afro-brasileiras e sua relação com aspectos da vida cotidiana brasileira, como a língua, a culinária, a organização social e a relação com o meio ambiente


Parte 1

Parte 2

Parte 3



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