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Quem somos?

Esse blog tem intuito de difundir o batuque do Rio Grande do Sul. A base do blog é as pesquisar feitas por seu fundador, Rodrigo Heck. Cujo é Babalorixá da nação de Cabinda, e também cacique de Umbanda e Quimbandeiro. Os textos aqui publicados têm referencias bibliográficas de livros, internet e textos obtidos nos fóruns que o autor participa. Esse blog é aberto à discussão, e pedimos a colaboração de todos os amigos que visitarem que deixem seus comentários, sugestões e criticas, para que possamos melhor a cada dia nosso trabalho.

Jogo de búzios e cartas com hora marcada

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domingo, 16 de agosto de 2015

Fundamentos da Quartinha

O batuque tem sua ritualística própria e dentro das suas peculiaridades está o ritual das Quartinhas.
Ao chegar num ilê é muito comum avistar na entrada, sobre o piso ou sobre o portal da entrada, uma QUARTINHA, que significa que o espaço é  Sagrado e tem a faculdade de mostrar à primeira vista que se trata de um local de ritual religioso.
O termo QUARTINHA se refere a um recipiente de barro, usado para acondicionar líquidos com capacidade de 250 ml a meio litro.  É um dos utensílios indispensáveis nos cultos afro-brasileiros, sendo usado na maioria dos assentamentos e na obtenção dos AXÉS.
Existe um costume praticamente esquecido pela maioria dos Ilês, pelo qual, quando o filho da casa ou um visitante chega ao Ilê, se despacha a água da QUARTINHA e coloca-se água nova na mesma.  Com essa ação, entende-se que a água está transmutando as energias, dando uma purificação ao ato.
Antigamente, as quartinhas eram de barro, pois a lou­ça era um artigo raro e caro, ina­cessível às classes menos favorecidas. Panelas, vasos, tigelas, canecos, e ou­­tros utensílios feitos de bar­­ro cozido, eram comuns e de uso cotidiano, não só pe­­los in­dígenas, uma vez que os co­­lo­­nizadores mais po­bres tam­bém usa­vam uten­sílios de bar­ro cozido. Eram os vasi­lhames e uten­sílios mais po­pulares e mais baratos na­quela época.
Hoje, quando você tem os mesmos utensílios em lou­ça, pode usá-los à vontade. Até porque as quartinhas de barro precisam passar por um envernizamento externo e por um revestimento oleoso in­terno, para que a água ou outra bebida colocada dentro dela não seja absorvida pelo barro e, sob temperaturas elevadas, evapore completamente.
A importância da água: é um fator preponderante no batuque. A água tem o poder de absorver, acumular ou descarregar qualquer vibração, seja benéfica ou maléfica.
A água poderá concentrar uma vibração positiva ou negativa, dependendo do seu emprego. Ao se rezar para uma pessoa com um copo de água do lado, todo o malefício, toda a vibração negativa dela passará para a água do copo, tornando-a embaciada; caso não haja mal algum, a água fica fluidificada. Nunca se deve acender vela para o Anjo da Guarda sem ter um copo de água do lado.
A água que se apanha na cachoeira é água batida nas pedras, nas quais vibra, crepita e livra-se de todas as impurezas, assim como a água do mar, batida contra as rochas e as areias da praia, também acontece o mesmo, por isso nunca se apanha água do mar quando o mesmo está sem ondas.
A água da chuva, quando cai é benéfica, pura, depois de cair no chão, torna-se pesada, pois, atrai as vibrações negativas do local. A importância da água pode ser traduzida numa única palavra: “VIDA”!
As águas utilizadas para descarrego, têm fundamento parecido com a fumaça, sendo que a fumaça carrega as energias consigo similar ao vento, e a água absorve estas energias.
As águas em copos nas obrigações significam energia vital, e nos copos juntos às velas de Anjo da Guarda ou atrás das portas de entrada, têm a finalidade de atrair para si as energias que por ali passam, atraídas pela Luz ou passando pela porta. Os copos de águas utilizados para estes fins (Anjo da guarda ou atrás das portas) devem ser descarregados pelo menos de 7 em 7 dias, pois senão fiarão saturadas e perderão seu poder de absorção. Esta descarga deve ser feita em água corrente (na pia com a torneira aberta, por exemplo). Pois simboliza movimento, necessário para transportar as energias absorvidas por ela.
No batuque, a água é um dos elementos naturais mais receptivos com uma energia altamente condutora, ela é utilizada nas quartinhas, no batismo, em muitos rituais da nação e principalmente pelos  orixás nos momentos onde há necessidade de realizar grande limpeza, purificação e energização de nosso corpo  astral e de nossa casa, afinal existem cargas e  energias maléficas que somente esse elemento natural é capaz de desfazer, limpar e equilibrar.
Ao desincorporar um ORIXÁ, a água da QUARTINHA proporcionará ao médium uma calma salutar após o transe espiritual.
As QUARTINHAS servem de imã espiritual para o médium, tanto o lado bom ou ruim que lhe desejam ou que assimila durante os trabalhos, nas giras ou simplesmente no que acontece diariamente.  Todos os fluidos são absorvidos pelas energias constantes da água contida nas QUARTINHAS.
Uma quartinha é algo pessoal e não deve ser manipulado por mais ninguém além do seu dono e só de­ve conter suas vi­bra­ções. Deve se cuidar da quartinha como se cuida da própria alma. É como se fosse sua essência e tivesse um pouquinho da  essência  da sua alma.





SIMPATIA PARA ACABAR COM O CIÚME


MATERIAL:

01 Quartinha branca;
01 Folha de laranjeira;
01 Vela branca;
Água;
Mel;


Nome da pessoa;
Coloque os ingredientes dentro da quartinha, ao lado acenda uma vela e faça seu pedido ao orixá Oxalá, após a vela queimar guarde a quartinha em um lugar alto na sua casa. Quando notar que a pessoa está mais calma despache na beira do rio ou na praia.



quarta-feira, 12 de agosto de 2015


Òbàrú é o General dos Exércitos de Sàngó. É o Guerreiro que faz emboscada em Sòbòàdàn.
Barú é uma qualidade de Xangô arredia e agressiva. Representa o lado guerreiro, conquistador, o aspecto da liberdade real e potencial bélico dos reis.
Ele sendo o General dos Exércitos do Òbà ( Rei ) ele possui assim como Àìyrá o Titulo de Òbà Kànkànfò.
Ligado ao elemento fogo sobre fogo, à vida, ao dinamismo e ao prosseguimento espiritual e material.
Considerado um caminho de Xangô extremamente raro, jovem, quente, impulsivo, intimamente ligado à Ogum Mèjè e a Exú.
Responde nos Odus: 12 (Ejilaxeborá), 1 (Okanran), 6 (Obará) centralmente, 11 (Owárin), 3 (Etaogundá). Todos os odús com ligações com Xangô, Exu e Ogum.
É um orixá que deve ser muito apurado para se apresentar num jogo, por isso facilmente confundido com Ogum e Exú.
Este Xangô somente aceita se cooligar com Ogum Mèjè, devido à não haverem choques de energia entre os dois e algumas afinidades entre estes dois orixás, e comumente se vêem pessoas ori meji de Barú e Mèjè, e estes dois orixás caminham juntos.
Diz-se em muitos Axés que Barú é o Xangô mais difícil de se fazer em Yawò. Por isso quando ele se apresenta, a maioria dos zeladores costumam fazer uma outra qualidade de Xangô ou Ogum.
Na África ficou conhecido como “Doido” porque durante seu reinado teve algumas decisões controversas e impensadas, motivo pelo qual na África não se raspa nem se assenta esse Orixá.
Na maioria das tradições ele veste preto com marrom, ou marrom e branco. Em outras veste chumbo e preto e costuma se colocar também pêssego e vinho para apaziguá-lo. Ele usa muito veludo. Pode carregar bastante dourado, mas pôr cobre nele também não influencia.
Este rei abdicou da coroa para se tornar um cavaleiro, por isso ele não usa coroa e sim capacete. Carrega apenas um oxê normal, e outro com a ponta numa espécie de foice.
Suas contas são um mistério, pois algumas casas usam o vermelho e o branco e outras usam o marrom, outras marrom e branco, sendo que algumas outras ainda intercalam as marrons com contas pretas (12 marrons e 1 preta).
Não come amalá nem quiabo, alimentos estes que são ewó central seu e dos filhos, mas recebe todas as outras comidas consagradas à Xangô. Também carregam as outras quizilas de Xangô como a morte, sujeira, esmola, tecidos de ráfia e juta, entre outros.
Seu animais sacrificiais são: cabrito, jabutí, galo de briga, etun e um em especial: o gavião.
Seu animal símbolo é o leão.
Está ligado a Yemanjá em Tapá, Exú e Oyá Topé.
Em outras tradições ele caminha com Opará.
Barú detesta injustiça e defende os certos, porém não tolera erros, se livra de todos seus inimigos de uma vez para não voltarem a cometer o mesmo erro.
UMA OUTRA VERSÃO:
Segundo outros asés, Barù tem ligações com Iroko e come com Èxu.
Dependendo da época este orixá ora é Baru, ora é Iroko.
Tem caminhos com Oyá Yàtopè.
Responde no Odu 12 Ejilaxeborá.
Durante as guerras e as conquistas era temível e sanguinário: não fazia prisioneiros, matava todos.

MITOLOGIA DE BARÙ
1. Porque Barú não come quiabo
Baru era muito brigão. Só vivia em atrito com os outros. Ele é que era o valente. Quem resolvia tudo era ele...
Baru era muito destemido, mas, quando ele comia quiabo, que ele gostava muito, lhe dava muita sonolência. Dormia o tempo todo! E pôr isso perdeu muitas contendas, pois quando ele acordava, já tudo tinha acabado.
Então, resolveu consultar um oluô, que lhe disse:
- Se é assim, deixa de comer quiabo.
- Eu deixar de comer o que eu mais gosto? – respondeu Xangô Baru.
- Então, fique por sua conta. Não me incomode mais! Será que a gula vai vencê- lo? – perguntou o oluô. Baru foi para casa e pensou :
- Eu não vou me deixar vencer pela boca. Vou voltar lá e perguntar a ele o que faço, pois o quiabo é meu prato predileto.
E saiu no caminho da casa do oluô, que já sabia que ele voltaria. Lá chegando, disse:
- Aqui estou. Me diz o que eu vou comer no lugar do quiabo.
- Aqui neste mocó tem o que você tem que comer. São estas folhas. Você temperando como quiabo, mata sua fome – lhe mostrou o oluô.
- Folha?! – perguntou Baru.
- Sim – respondeu o oluô – Tem duas qualidades, uma se chama oyó e a outra, sanã. São tão boas e gostosas quanto o quiabo.
Baru foi para casa e preparou o refogado, e fez um angu de farinha e comeu. Gostou tanto, e se sentiu tão bem e tão fortalecido, e não teve mais aquele sono profundo.
Aliás, ele se sentiu bem mais jovem e com mais força.
E não ficou com a sonolência que o quiabo lhe dava.
Aí ele disse:
- A partir de hoje, eu não como mais quiabo.
Daí a sua quizila com o mesmo.
2.
Conta o mito em que Xangô recebe de Oxalá um cavalo branco como presente.
Com o passar do tempo, Oxalá voltou ao reino de Xangô Baru, onde foi aprisionado, passando sete anos num calabouço.
Calado no seu sofrimento, Oxalá provocou a infertilidade da terra e das mulheres do reino de Baru.
Mas Baru, com a ajuda dos babalawos, descobriu seu pai Oxalá preso no calabouço de seu palácio.
Naquele dia, ele mesmo e seu povo vestiram-se de branco e pediram perdão ao grande orixá da criação, terminando o ato com muita festa e com o retorno de Oxalá a seu reino.
Neste avatar, e somente neste, Xangô surge como um rei humilde e solidário com a causa de seu povo.
ARQUÉTIPOS, CARACTERÍSTICAS GERAIS E TENDÊNCIAS DOS FILHOS DE BARÙ
Seus descendentes míticos agirão sempre como um jovem desconfiado, ambicioso, elegante, teimoso, hospitaleiro, galante.
Seus filhos são tidos como grandes conquistadores fortemente atraídos pelo sexo e o relacionamento predominantemente sexual assume papel importante em sua vida.
Honestos e sinceros em seus relacionamentos mais duradouros, para eles sexo é algo vital, insubstituível, mas o objeto sexual em si não é merecedor de tanta atenção depois de satisfeito o desejo.
Donos de uma enorme auto-estima,têm uma clara consciência de que são importantes e dignos de respeito e atenção. Acreditam que sua opinião será decisiva sobre quase todos os tópicos, consciência um pouco egocêntrica, mas de uma naturalidade desconcertante.
Não aceitam muito as opiniões alheias e acham que podem resolver todos seus problemas sozinho, tem momentos calmos, mas de repente se tomam por uma fúria incontrolável.
Vezes quietos e não ligam pra opinião alheia, mas outras vezes se enfurecem e dizem o que não querem ouvir.
Não aceita injustiça e se cega diante das paixões duradouras e passageiras, são bons mas não se prendem totalmente a alguém o que pode parecer que não está “nem aí”.
São risonhos, amantes da boa comida e boa bebida, e brincalhões (pois possuem uma ligação com Exú muito forte).
Gostam de exercer a autoridade e não podem ser contrariados. Possuem grande senso para a justiça e defendem os certos.
Extremamente enérgicos e autoritários, gostam de exercer influência nas pessoas e dominar a todos, são líderes por natureza, justos honestos e equilibrados, porém quando contrariados, ficam possuídos de ira violenta e incontrolável.
Suas características físicas são de alguém forte e geralmente inofensivo, mas são dotados de força moral e vezes grande energia corporal, onde passam impõem silêncio e respeito, mas logo se mostram amigos e brincalhões.
Falam grosso e seu jeito meio curvado os coloca em posição de destaque.
Assim como Xangô, gostam de exercer a liderança e o controle, quando isso não é possível, os filhos de Barú logo se sentem diminuídos e fracos.
Sendo para eles o combustível o sexo e tudo que se relaciona a esse tema.
Contam vantagem, mas quase sempre suas histórias são verdadeiras.
Suas carreiras mais promissoras são: juízes, advogados e defensores, dentistas, médicos, tatuador e vendedor, têm aptidão para os negócios e marketing, pois são bons influenciadores de opinião.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Para existir um total domínio, Lúcifer fez melhor do que a encomenda, utilizou-se de seu conhecimento e dividiu-se em quatro formas, as quais foram conhecidas em diferentes partes do plano baixo, para dominar não somente os grandes malfeitores do plano material, mas os de menor importância também. Disse ele que ninguém chega à Deus sem passar por seus Generais, portanto ninguém chegaria à ele ou aos seus Generais sem passar pelos seus regimentos.
Lúcifer, Belzebu, Astaróte e Asmodeus, estes são os quatro nomes que ele utiliza até os dias de hoje, e cada um deles representa uma Banda de Quimbanda(Graduação de equilíbrio de energia), portanto deixo algo bem claro que todos que se dizem povos de Exú, fazem parte de uma Banda.

BANDA DE QUIÚMBA = LÚCIFER;
BANDA DE NAGÔ OU QUIRUBO = BELZEBÚ;
BANDA DE IGÉ = ASTARÓTE;
BANDA DE BALÉ = ASMODEUS.


No aprimoramento e evolução do campo espiritual, algumas falanges denominaram-se MUCIFINS, os quais servem aos quatro elementares, assim são conhecidos os codinomes de Lúcifer por esta casta espiritual. Esta é a prova da eterna evolução das Castas Espirituais, que vem progredindo e evoluindo.
Sei que houve divergências sobre a verdadeira função desta, mas espero que a partir dessa leitura, as pessoas possam interpretar melhor os degraus do Plano Astral, pois nem tudo é o que realmente pensamos, o ser humano, assim como tudo que é criatura, tem livre arbítrio, pode evoluir ou regredir, dependendo unicamente de seus esforços de acompanhamento de evolução natural. Ainda chegará o dia em que nós todos viveremos em harmonia e equilíbrio das energias, conhecendo as diferentes formas e suas utilidades.
Portanto Exú está aí para demonstrar que, o que importa realmente é a evolução, independente de outros meios ou de outras formas de energia , pois então, todo ser também evolui, seja no campo material ou no Astral.
Publicado em 22 de jan de 2015


Documentário produzido com o apoio do Edital de Apoio à Produção de Documentários Etnográficos sobre o Patrimônio Cultural Imaterial (Etnodoc). O etnodocumentário mostra uma parte pouco conhecida da cultura do Rio Grande do Sul que foi construída pelos africanos em torno da religiosidade dos orixás. Conhecido como batuque ou nação, a religião africana moldou a identidade gaúcha que carrega várias referências africanas, desde as palavras, comidas, danças, música e espiritualidade. Esse filme expõe a ancestralidade africana contemporânea que molda o modo de vida e as relações sociais dos que são filhos de santo e dos que não são.







Ficha técnica
Ano: 2011
Direção: Sérgio Valetim e Eugênio Alencar
Roteiro: Sérgio Valetim e Thais Fernandes
Produção: Sarah Brito, Sérgio Valetim, Eugênio Alencar e Sarah Brito
Duração: 26 minutos
Apoio: Iphan/CNFCP
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domingo, 19 de abril de 2015



Nas páginas que seguem encontrarão algo mais sobre Trabalhos de Quimbanda, pois como sabem, a Quimbanda, prática este tanto censurada, e muitas das vezes criticada por pessoas, que na realidade, não sabem ao certo a sua definição correta.

O objetivo deste trabalho é registrar as rezas cantadas nos rituais Egún no Batuque do Rio Grande do Sul, disponibilizando-se para que sejam preservadas através dos tempos. 
Transcrevemos foneticamente as gravações de dois Cd. O primeiro gravado por um sacerdote e o segundo por dois tamboreiros, ambos religiosos do Batuque afro-sul.