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Direitos autorais - Rodrigo Castilhos Heck. Tecnologia do Blogger.

Quem somos?

Esse blog tem intuito de difundir o batuque do Rio Grande do Sul. A base do blog é as pesquisar feitas por seu fundador, Rodrigo Heck. Cujo é Babalorixá da nação de Cabinda, e também cacique de Umbanda e Quimbandeiro. Os textos aqui publicados têm referencias bibliográficas de livros, internet e textos obtidos nos fóruns que o autor participa. Esse blog é aberto à discussão, e pedimos a colaboração de todos os amigos que visitarem que deixem seus comentários, sugestões e criticas, para que possamos melhor a cada dia nosso trabalho.

Jogo de búzios e cartas com hora marcada

Jogo de búzios e cartas com hora marcada

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quinta-feira, 9 de abril de 2015



A Umbanda é uma religião formada dentro da cultura religiosa brasileira, que sincretiza vários elementos, inclusive de outras religiões como o catolicismo e o espiritismo. A palavra umbanda deriva de m'banda, que significa "sacerdote" ou "curandeiro".




Os fundamentos da Umbanda variam conforme a vertente que a pratique. Porém existem alguns conceitos básicos que são encontrados na maioria das casas e assim podem, com certa ressalva e cuidado, ser generalizados para todas as formas de Umbanda. São eles:
* A existência de uma fonte criadora universal, um Deus supremo, chamado Oxalá, 
* A obediência aos ensinamentos básicos dos valores humanos, como: fraternidade, caridade e respeito ao próximo. Sendo a caridade uma máxima encontrada em todas as manifestações existentes,
* A manifestação dos Guias para exercer o trabalho espiritual incorporado em seus médiuns,
* O mediunismo como forma de contato entre o mundo físico e o espiritual, manifesta de diferentes formas,
* Uma doutrina, uma regra, uma conduta moral e espiritual que é seguida em cada casa de forma variada e diferenciada, mas que existe para nortear os trabalhos de cada terreiro,
* A crença na imortalidade da alma,
* A crença na reencarnação e nas leis cármicas.
A Umbanda é uma junção de elementos indígenas (culto aos antepassados e elementos da natureza), catolicismo (santos que foram sincretizados pelos negros africanos),e espiritismo (fundamentos espíritas, reencarnação, lei do carma, progresso espiritual).
A Umbanda prega a existência pacífica e o respeito ao ser humano, à natureza e a Deus, respeitando todas as manifestações de fé, independentes da religião. Em decorrência de suas raízes, a Umbanda compreende a diversidade, e valoriza as diferenças. Não há dogmas ou liturgia universalmente adotadas entre os praticantes, o que permite uma ampla liberdade de manifestação da crença e diversas formas válidas de culto.
A Umbanda tem como lugar de culto o templo ou terreiro, que é o local onde são realizados cultos aos Orixás e aos seus guias. O chefe do culto no terreiro é o pai ou mãe de santo. São os médiuns mais experientes e com maior conhecimento, normalmente fundadores do mesmo. As entidades que são incorporadas pelos médiuns podem ser pretos-velhos, caboclos, crianças, ciganos, exus e pombas-giras.
O culto nos terreiros é dividido em sessões de desenvolvimento e de consulta, e essas, são subdivididas em giras.
Nas sessões de consulta, onde comumente podemos encontrar as entidades, as pessoas tomam passe e se consultam a fim de obter ajuda e conselhos para suas vidas, curas, descarregos, e para resolver problemas espirituais diversos. No passe, a entidade reorganiza o campo energético astral da pessoa, energizando-a e retirando toda a parte fluídica negativa que nela possa estar. Também a entidade faz com que a energia negativa seja deslocada para o astral. Nos dias de consulta há o atendimento da assistência, e nos dias de desenvolvimento há as giras mediúnicas, que são fechadas à assistência, onde os sacerdotes educam e ensinam os mecanismos próprios da mediunidade. A Umbanda crê que o médium tem o compromisso de servir como um instrumento de guias ou entidades espirituais superiores. Para tanto, deve se preparar através do estudo, desenvolvendo a sua mediunidade, sempre prezando a elevação moral e espiritual, a aprendizagem conceitual e prática da umbanda, respeitar os guias, ter assiduidade e compromisso com sua casa, ter caridade em seu coração, amor e fé em sua mente e espírito, e saber que a umbanda é uma prática que deve ser vivenciada no dia-a-dia, e não apenas no terreiro.
Uma das regras básicas da Umbanda é que a mediunidade não deve ser vista ou vivenciada vaidosamente como um dom ou poder maior concedido ao médium, mas sim como um compromisso e uma oportunidade que lhe foi dada para fazer a caridade a quem precisa, e para seu próprio crescimento espiritual. Por isso não deve ser encarada como um fardo ou como uma forma de ganhar dinheiro, mas como uma oportunidade valiosa para praticar o bem e a caridade.


A primeira manifestação de Umbanda é a do Caboclo das Sete Encruzilhadas em seu médium Zélio Fernandino de Moraes em 15 de Novembro de 1908. Assim como a Tenda Nossa Senhora da Piedade, fundada por Zélio é o primeiro templo de Umbanda registrado no Brasil.
Zélio Fernandino de Moraes nasceu no dia 10 de Abril de 1892, no Rio de Janeiro. Filho de Joaquim Fernandino Costa e Leonor de Moraes.
Em 1908, aos 17 anos, Zélio havia concluído o curso propedêutico (ensino médio) e preparava-se para ingressar na escola Naval, a exemplo de seu pai, quando fatos estranhos começaram a acontecer na vida dele. Em alguns momentos Zélio era visto falando manso, com a postura de um velho, com sotaque diferente de sua região, dizendo coisas aparentemente desconexas; em outros momentos parecia um felino lépido e desembaraçado, mostrando conhecer todos os mistérios da natureza. Isso logo chamou a atenção da família, preocupada com a situação mental do menino que se preparava para seguir carreira militar, pois os "ataques" se tornaram cada vez mais freqüentes. Assim, Zélio foi examinado por seu Tio, Dr. Epaminondas de Moraes, médico psiquiatra e diretor do Hospício da Vargem Grande. Após vários dias de observação, não encontrando seus sintomas em nenhuma literatura médica, sugeriu a família que o encaminhasse a um padre, para que fosse feito um ritual de exorcismo, pois desconfiava que seu sobrinho estava endemoniado. 
Foi chamado então um outro parente, tio de Zélio, padre católico que realizou o dito exorcismo para livrá-lo da possível presença do demônio e saná-lo dos ataques. No entanto este e outros dois exorcismos, acompanhados de outros sacerdotes católicos, não resolveram a situação e as manifestações prosseguiram. Algum tempo depois, Zélio foi tomado por uma paralisia parcial, a qual os médicos não conseguiam entender. Um belo dia Zélio levanta-se de seu leito e diz que amanhã estaria curado, e no dia seguinte começou a andar como se nada tivesse acontecido. Um amigo sugeriu encaminhá-lo a recém fundada Federação Kardecista de Niterói, que era presidida pelo Sr.José de Sousa. Zélio então foi conduzido a esta federação no dia 15 de Novembro de 1908, e na presença do Sr.José de Sousa, ele teve ataques reconhecidos como manifestações mediúnicas. Convidado a sentar-se à mesa, logo em seguida levantou-se, contrariando as normas do culto estabelecido pela instituição, e afirmou que ali faltava uma flor. Foi até o jardim, apanhou uma rosa branca e colocou-a no centro da mesa onde se realizava o trabalho.
Sr.José de Sousa, que possuía também a clarividência, verificou a presença de um espírito manifestado através de Zélio, e conversou com o mesmo:
Sr.José: Quem é você que ocupa o corpo deste jovem?
O espírito: Eu? Eu sou apenas um caboclo brasileiro. 
Sr.José: Você se identifica como caboclo, mas vejo em você restos de vestes clericais.
O espírito: O que você vê em mim, são restos de uma existência anterior. Fui padre, meu nome era Gabriel Malagrida, acusado de bruxaria fui sacrificado na fogueira da inquisição por haver previsto o terremoto que destruiu Lisboa em 1755. Mas em minha última existência física Deus concedeu-me o privilégio de nascer como um caboclo brasileiro.
Sr.José: E qual é seu nome?
O espírito: Se é preciso que eu tenha um nome, digam que eu sou o Caboclo das Sete Encruzilhadas, pois para mim não existirão caminhos fechados. Venho trazer a Umbanda, uma religião que harmonizará as famílias e que há de perdurar até o final dos séculos.
Sr.José pergunta então se já não existem religiões suficientes, fazendo inclusive menção ao espiritismo.


O espírito: Deus, em sua infinita bondade, estabeleceu na morte, o grande nivelador universal, rico ou pobre poderoso ou humilde, todos tornam-se iguais na morte, mas vocês homens preconceituosos, não contentes em estabelecer diferenças entre os vivos, procuram levar estas mesmas diferenças até mesmo além da barreira da morte. Por que não podem nos visitar estes humildes trabalhadores do espaço, se apesar de não haverem sido pessoas importantes na Terra, também trazem importantes mensagens do além? Porque o não aos caboclos e pretos-velhos? Acaso não foram eles também filhos do mesmo Deus? Amanhã, na casa onde meu aparelho mora, haverá uma mesa posta a toda e qualquer entidade que queira ou precise se manifestar, independente daquilo que haja sido em vida, todos serão ouvidos, nós aprenderemos com aqueles espíritos que souberem mais e ensinaremos aqueles que souberem menos e a nenhum viraremos as costas a nenhum diremos não, pois esta é a vontade do Pai. 
  
Sr.José: E que nome darão a esta Igreja?
O espírito: Tenda Nossa Senhora da Piedade, pois da mesma forma que Maria ampara nos braços o filho querido, também serão amparados os que se socorrerem da Umbanda.
No dia seguinte, na rua Floriano Peixoto, 30, Neves - São Gonçalo/ RJ, próximo das 20:00 horas, estavam presentes membros da federação espírita, parentes, amigos, vizinhos e uma multidão de desconhecidos e curiosos. Pontualmente as 20:00 horas, o Caboclo das Sete Encruzilhadas incorporou e com as palavras abaixo iniciou seu culto:
“Vim para fundar a Umbanda no Brasil. Aqui inicia-se um novo culto em que os espíritos de pretos velhos africanos e os índios nativos de nossa terra, poderão trabalhar em benefícios dos seus irmãos encarnados, qualquer que seja a cor , raça, credo ou posição social. A pratica da caridade no sentido do amor fraterno, será a característica principal deste culto”
Após trabalhar fazendo previsões, passe e doutrina informou que devia se retirar, pois outra entidade precisava se manifestar. Após a subida do caboclo, incorporou uma entidade reconhecida como preto-velho, saindo da mesa e se dirigindo a um canto da sala onde permaneceu agachado. Sendo questionado o porquê de não ficar na mesa respondeu: “Nego num senta não, meu sinhô, nego fica aqui mesmo. Isso é coisa de sinhô branco, e nego deve arespeitá”. Após insistência ainda completou “Num carece preocupa não. Nego fica no toco, que é lugar de nego”. E assim continuou dizendo outras coisas mostrando a simplicidade, humildade e mansidão daquele que trazendo o estereótipo do preto-velho se fez identificar como Pai Antônio. Logo cativou a todos com seu jeito, ainda lhe perguntaram se ele não aceitava nenhum agrado, ao que respondeu: “Minha cachimba, nego qué o pito que deixou no toco. Manda moleque busca”. Todos ficaram perplexos, estavam presenciando a solicitação do primeiro elemento material de trabalho dentro da Umbanda. Na semana seguinte todos trouxeram cachimbos que sobraram diante da necessidade de apenas um para Pai Antônio. Assim o cachimbo foi instituído na linha de pretos-velhos, sendo também ele a primeira entidade a pedir uma guia (colar) de trabalho.


O pai de Zélio freqüentemente era abordado por pessoas que queriam saber como ele aceitava tudo isso que vinha acontecendo em sua residência, e sua resposta era sempre a mesma; em tom de brincadeira respondia que preferia um filho médium ao lugar de um filho louco. Foi um trabalho árduo e incessante para o esclarecimento, difusão e sedimentação da religião de Umbanda. Enquanto Zélio esteve encarnado foram fundadas mais de 10.000 tendas. Após 55 anos de atividade entregou, a direção dos trabalhos da Tenda Nossa Senhora da Piedade a suas filhas Zélia e Zilméia. Mais tarde junto com sua esposa Maria Izabel de Moraes, médium ativa da tenda e aparelho do Caboclo Roxo fundou a cabana de Pai Antônio.
Zélio Fernandino de Moraes desencarnou no dia 03 de Outubro de 1975, aos 83 anos. Suas filhas deram continuidade ao trabalho, e a Tenda Nossa Senhora da Piedade existe até hoje sob a direção de Zilméia de Moraes, sua filha que aos 88 anos de idade se mostra ainda muito lúcida e ativa na frente dos trabalhos.



Palavras do Caboclo das Sete Encruzilhadas:
A Umbanda tem progredido e vai progredir. É preciso haver sinceridade e honestidade, e eu previno sempre aos companheiros de muitos anos: a vil moeda vai prejudicar a Umbanda; médiuns que irão se vender e que serão, mais tarde, expulsos, como Jesus expulsou os vendilhões do templo. O perigo do médium homem é a consulente mulher; do médium mulher é o consulente homem. É preciso estar sempre de prevenção, porque os próprios obsessores que procuram atacar as nossas casas fazem com que toque alguma coisa no coração da mulher que fala ao pai de terreiro, como no coração do homem que fala à mãe de terreiro. É preciso haver muita moral para que a Umbanda progrida, seja forte e coesa. Umbanda é humildade, amor e caridade – esta é a nossa bandeira. Neste momento, meus irmãos, me rodeiam diversos espíritos que trabalham na Umbanda do Brasil: Caboclos de Oxósse, de Ogum, de Xangô. Eu, porém, sou da falange de Oxósse, e não vim por acaso, trouxe uma ordem, uma missão. Meus irmãos: sejam humildes, tenham amor no coração, amor de irmão para irmão, porque vossas mediunidades ficarão mais puras, servindo aos espíritos superiores que venham a baixar entre vós; é preciso que os aparelhos estejam sempre limpos, os instrumentos afinados com as virtudes que Jesus pregou aqui na Terra, para que tenhamos boas comunicações e proteção para aqueles que vêm em busca de socorro nas casas de Umbanda. As maiores partes dos que trabalham na Umbanda, se não passaram por esta Tenda, passaram pelas que nasceram desta Casa.


Tenho uma coisa a vos pedir: Se Jesus veio ao planeta Terra na humildade de uma manjedoura, não foi por acaso. Assim o Pai determinou. Podia ter procurado a casa de um potentado da época, mas foi escolher aquela que havia de ser sua mãe, este espírito que viria traçar à humanidade os passos para obter paz, saúde e felicidade. Que o nascimento de Jesus, a humildade que Ele baixou a Terra, sirvam de exemplos, iluminando os vossos espíritos, tirando os escuros de maldade por pensamento ou práticas; que Deus perdoe as maldades que possam ter sido pensadas, para que a paz possa reinar em vossos corações e nos vossos lares. Fechai os olhos para a casa do vizinho; fechai a boca para não murmurar contra quem quer que seja; não julgueis para não serdes julgados; acreditai em Deus e a paz entrará em vosso lar.
Eu, meus irmãos, como o menor espírito que baixou a Terra, mas amigo de todos, numa concentração perfeita dos companheiros que me rodeiam neste momento, peço que eles sintam a necessidade de cada um de vós e que, ao sairdes deste templo de caridade, encontreis os caminhos abertos, vossos enfermos melhorados e curados, e a saúde para sempre em vossa matéria.
Com um voto de paz, saúde e felicidade; com humildade, amor e caridade, eu sou e sempre serei o humilde Caboclo das Sete Encruzilhadas.

MATERIAL NECESSÁRIO
* Um alguidar
* Uma cachaça
* 1 kg de farinha de milho média (fubá)
* Uma garrafa de azeite de dendê
* Um metro de pano branco (morim)
* 7 cravos vermelhos
* 7 velas brancas
* 1 charuto
* Mel de abelha
MANEIRA DE PREPARAR
Forrar o local com o pano branco, passar a cachaça no alguidar, fazer a farofa (padê) de farinha com azeite de dendê, botar dentro do alguidar. Botar o nome da pessoa e o pedido por cima, enfeitar com os cravos vermelhos, regar com mel de abelha, acender as velas e o charuto e fazer os pedidos a TRANCA RUAS.
Local: Encruzilhada ou cruzeiro de mata
Dia da semana: Segunda-Feira



Segurar o marido ou esposa em casa


Um abafador, mel, algodão, milho torrado, fita crepe ou tape e o nome da pessoa.


Coloca-se o milho torrado bem quente no fundo do pote, coloca o nome da pessoa que se quer prender em casa e cobre-se com mel, como algodão preenche-se o abafador, tampar e lacrar com a fita tape ou fita crepe.

Enterra em algum lugar no pátio ou dentro de um vaso se for apartamento.

Dia da semana - Sexta-feira


Bará Agelú Tolabí

segunda-feira, 16 de março de 2015


- Uma bandeja ou alguidar-
·         Um bife cru de carne de porco-
·         Farinha de mandioca-
·         Uma cebola roxa-
·         Azeite-de-dendê-
·         Pipoca-
·         Milho de galinha-
·         Uma garrafa de cachaça [garrafa de vidro]
·         Um copo de vidro ,branco,sem uso-
·         Uma caixa de fósforos-
·         Uma vela vermelha-
·         Uma vela branca-
·         Uma vela preta.-
=>Para efetuar este agrado deverá fazer uma farofa crua de mandioca com dendê,misturar bem ,lambuzar o bife nesta farofa como se fosse a milanesa.
Forrar o fundo do alguidar ou bandeja com folhas de mamona roxa. Colocar a farofa no fundo,em seguida colocar o bife de carne de porco.
Enfeitar o prato com as pipocas e o milho de galinha assado, repare que refiro ao milho de galinha assado e não queimado como muitos colocam.Asse o milho no forno até ele cheirar como se fosse um bolo de milho,e na cor dourado-alaranjado. Ok? Continuando…colocando quatro rodelas de cebola roxa nas pontas do prato, enfeitando.
Na quarta-feira você pode despachar este ebó na morada principal dos exus,ou seja,no cemitério,ao lado do primeiro túmulo preto a esquerda da entrada,neste momento sim,acenda sua vela preta, procedendo como anteriormente, primeiro agradeça depois peça.
Este agrado tem como finalidade acalmar,e pedir ajuda principalmente para doenças
Também é um importante ebó para você agradar exu antes de agradar Xapanã ou Omulu.
A Tradição do Bará do Mercado traz os relatos de 7 religiosos de matriz africana sobre o fundamento afro-religioso chamado O Bará do Mercado Público, a partir dos percursos e experiências urbanas desses negros na cidade de Porto Alegre.


Imagine que as pedras trazem o fogo em seus ventres. O fogo é gestado também na essência da madeira, ganha vida na partição do metal. O oxigênio que agora move-se em filetes invisíveis sob as minhas digitais, na pressão das teclas desse computador, incidindo e fluindo ao meu pulmão e do teu, também é mãe e sangue do fogo. Pairando no céu, encrespado em rebuliços eternos, revolvendo-se em bumbares enraivecidos, fantásticos e descomunais, reina sobre nós o fogo em seu paroxismo de luz. Difícil de compreender, fascinante, amedrontador, mágico, poético, vital e extremamente destrutivo é o fogo.
No panteão africano, Exu é a divindade mais controversa. Bom ou mau, justo ou cínico, anjo ou libertino: não existe consenso quanto ao seu caráter. Exu viveria no riso e no escárnio, no gozo e nos gostos, na cólera, no trago, na balbúrdia, na festa burlesca do homem. Zelador da verdade e das encruzilhadas, por baixo e por cima, Exu poda asa, raspa chifre, trinca máscara, fecha caminho, abre picada, sempre de porrete em riste, sarrando a morte e sua bunda magra. Exu é o mensageiro dos Orixás, que são as emanações da natureza – palavra empregada em seu sentido primal e gerador. Exu, o sentinela, o comunicador, é o operador do mistério entre o céu e a terra, a magia do mundo. Exu é a dinâmica da perenidade, é o princípio por fim, é a incoerência, o movimento, o giro do vento, é o garrancho na linha torta, é a essência inescrutável dos seres, enfim, desvelada. Difícil de compreender, fascinante, amedrontador. Mágico.
Aluvaiá, Njila, Elegbara, Lonan, Bongbogira, essa entidade é conhecida por diferentes nomenclaturas nas vertentes surgidas das crenças tribais do continente africano. No sul, terra do Batuque, ela atende por Bará, o insolente filho de Iemanjá, irmão de Ogum e de Oxossi, aquele a quem se deve agradar antes de qualquer outro, sob pena de sofrer com sua revolta ou picardia. É assim no fundamento que resistiu aos porões dos navios, aos grilhões e açoites, à perseguição e ao entrave do preconceito, para consolidar-se em refúgio e identidade de um povo hoje multicolorido.
Pelo último censo do IBGE, o Rio Grande do Sul é o estado com mais adeptos declarados das religiões de matriz africana – o Candomblé, a Umbanda, a Quimbanda. São quase 1,5% da população, mais do que o segundo e o terceiro colocados somados (Rio de Janeiro, 0,9%, e Bahia, 0,3%). Na prática, a audiência dos cultos pode ser muito maior: estima-se em 70 mil o número de centros com essa orientação espalhados nessa província de pendores europeus. Na Capital, o Batuque e o seu polêmico deus podem ser responsáveis por uma espécie de história secreta, sedimentada nos subterrâneos da cidade.
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Foto: Vinicius Vieira/Divulgação PMPA
O Bará do Mercado
Há uma lenda urbana porto-alegrense que confere ao Mercado Público o status de santidade pagã. É uma beatificação torta que estende sua mística sobre toda a cidade e seus habitantes. Na Praça Paraíso, local onde foi erguido o centro comercial, já se vão quase 150 anos, não havia nada de misterioso: nenhum milagre foi registrado, cemitério indígena algum restou violado. Ao contrário: o lote à beira do Guaíba sacralizou-se pelo erguimento do prédio, a partir da sua existência. Reza o mito que o Mercado Público foi entregue à guarda de Exu.
O assentamento é o procedimento utilizado para aglutinar a energia do orixá em determinado lugar. Uma vez consagrado, esse ponto ganha um dono, um ente vedor, um regente. As oferendas depositadas ali mantêm viva a influência da entidade e a ligação dela com seus fieis. No fundo do mais antigo centro comercial da cidade, alguém teria plantado um Bará. As versões sobre a origem do ritual variam. Uma concede a autoria aos escravos, artífices na construção do empreendimento, como forma de proteção ao assédio dos senhores brancos e augúrio de fartura. Numa modulação improvável da mesma história, um dos escravos teria morrido durante a obra; sem disporem de meios ou local para enterrá-lo, os demais cativos o sepultaram em pé, bem no centro das fundações.
A principal voz corrente sobre a lenda indica que o Bará do Mercado foi ali colocado por Custódio Joaquim de Almeida, um príncipe africano egresso do Reino de Daomé, atual Benim, domiciliado em Porto Alegre no início do século XX.
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Nobre Negro
Tudo é impreciso, obscuro e excêntrico quando se trata da vida de Custódio Joaquim de Almeida, nascido Osuanlele Okizi Erupê, filho do Rei de Daomé. No final do século XIX, quando a Inglaterra apossou-se da Costa do Ouro, Osuanlele fugiu para o porto de São Batista de Ajudá, um entreposto erigido pela colonização portuguesa. Lá, ele adotou o nome Custódio e rumou ao Brasil após entabular um acordo com os britânicos. As condições desse acerto não são claras. A princípio, o Príncipe Custódio receberia uma subvenção vitalícia dos ingleses e jamais poderia retornar à sua terra natal.
Ninguém conhece o motivo pelo qual Custódio Joaquim de Almeida, fluente em inglês e francês, escolheu o país como exílio. Talvez tenha sido pela intensa migração de patrícios para as terras sul-americanas, ou quem sabe por indicação do Ifá, o jogo de búzios, oráculo no qual o príncipe era perito. O fato é que, depois de passar por Salvador e Rio de Janeiro, ele aportou na cidade de Rio Grande, em 1899, deslocando-se em seguida para Pelotas e Bagé. Em Pelotas, Príncipe Custódio conheceu Júlio de Castilhos, o responsável por trazê-lo a Porto Alegre, em 1901, provavelmente.
À essa época, Júlio de Castilhos debatia-se com um câncer na garganta – mazela empedernida à medicina atual, quanto mais à de cem anos atrás. Positivista, cientificista, homem de luzes e racionalidades, Castilhos entregou-se às mezinhas, aos benzimentos, à panaceia herbária, aos conjuros e tambores do negro curandeiro. O câncer foi inclemente, e o político faleceu dois anos depois de contribuir para a instalação da corte de Príncipe Custódio no casarão da Rua Lopo Gonçalves, número 498, na Cidade Baixa, próximo ao antigo Areal da Baronesa – zona ocupada eminentemente por negros, muitos ex-escravos libertos e descendentes de cativos, quase todos filiados às religiões africanas.
Tendo em Castilhos um avalista de seus sortilégios, Custódio Joaquim de Almeida criou laços com outros ícones da história gaúcha, como Borges de Medeiros, Pinheiro Machado e Getúlio Vargas: de colarinho branco, todos ‘batiam cabeça’ em seu terreiro, suplicando auxílio para lograrem sucesso nos intentos políticos, requestando a abertura das melhores rotas no espinhoso mapa do poder. Figuras de escol da sociedade porto-alegrense também eram habitués do castelo da Lopo Gonçalves, principalmente nas festas homéricas patrocinadas pelo príncipe – eventos pomposos, de sol e lua, calçados no erário que lhe era depositado com pontualidade britânica. No centenário de Custódio, em 1931, as festividades duraram três dias ininterruptos, ao som dos atabaques e das cantigas ancestrais.
Na Belle Epóque porto-alegrense, época de transformações, do reinício de lutas infindáveis do negro por seu espaço na sociedade, Príncipe Custódio ululava em trajes de gala pelos cafés e salões da Capital; criava e treinava cavalos para o seu divertimento no seleto hipódromo Moinhos de Vento; passeava pelas ruas numa carruagem tracionada por tordilhos e empreendia temporadas de veraneio em Cidreira – viajava alojado em carros arrastados por bois, com sua comitiva fixa de quase 50 pessoas, sem contar os convidados: o trajeto nunca levava menos de sete dias, pois Custódio fracionava o percurso para aderir às recepções que lhe eram oferecidas nas casas de religião.
A atuação de Príncipe Custódio para o batuque gaúcho é  considerada fundamental por muitos motivos. A corte do nobre africano não era aberta apenas à elite: Custódio franqueava curas, aconselhamentos e auxílios diversos à população carente que o demandava. Havia até um médico para atender os doentes gratuitamente. Além disso, num período marcado por perseguições, sua influência política garantia a manutenção de certo respeito e segurança à fé  dos batuqueiros – termo tornado pejorativo com o tempo.
É provável que essa ascendência aos governantes tenha ligação com a pretensa existência não só do Bará do Mercado, mas de outros seis assentamentos espalhados por Porto Alegre.
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A Capital dos 7 Exus
A encruzilhada é  a intersecção de dois caminhos, vertendo-se desse simbolismo as infinitas orientações. Ao centro de um cruzeiro, num mesmo tempo, em fluxo e refluxo, confluem e emanam todas as possibilidades. É ali que Exu trabalha, abrindo e fechando as veredas da vida e das vidas. No centro do Mercado Público, matriz e convergência das direções, caminho comum a todos nós, por onde passamos alguma ou inúmeras vezes, existe uma demarcação representando o assentamento dessa entidade, o seu trono.
Não importando a voz que o evocou, Bará regeria e guarneceria o Mercado Público. Daí viria a razão pela qual o prédio se mantém em pé, resistente a todo tipo de intempérie e turbulência: um incêndio praticamente o devastou em 1913; a enchente de 1941 o alagou quase ao teto; o fogo tornou a castigá-lo em 1976 e 1979, voltando à carga agora em 2013. Nos anos 70, a prefeitura resolveu desativá-lo e demoli-lo para ceder espaço à pavimentação de uma nova avenida e de um viaduto, mas a medida não foi levada a cabo devido à contrariedade da população – e o Mercado Público, hoje tombado pelo patrimônio histórico, manteve-se aberto à circulação de sua gente.
Por essa gente, o guardião também olharia: a energia conjurada e afixada sob o barro secular, imiscuída nas galerias basais do cruzeiro pelo qual vagam 150 mil pessoas por dia, não só zelaria pelo centro comercial, mas vibraria sobre toda a metrópole: o Bará do Mercado Público é o Exu de Porto Alegre, segundo a ancestralidade do africanismo gaúcho. Na névoa com cheiro de alecrim e charuto que paira no rastro deixado pela existência de Príncipe Custódio – falecido aos 104 anos –, esconderiam-se outros seis Barás pulverizados pela Capital.
Os orixás teriam sido alocados em sítios estratégicos e desconhecidos, com o intuito de fortalecer a cidade. Haveria dois Barás encravados nas proximidades da Igreja Nossa Senhora das Dores; um outro apararia o Palácio Piratini, sede do Governo Estadual. Quanto aos demais, poucos saberiam dar conta. Esse é um eró, um segredo, um fundamento da religião repassado à confiança de alguns escolhidos, como medida de segurança para evitar que os inimigos, os detratores das seitas, descobrissem e desfizessem a mandinga, diluindo a sua força.
Dos 7 Exus que gargalham e oferecem seus ombros para sustentar Porto Alegre, quais Atlas negros e boêmios, o mais representativo é mesmo o do Mercado Público.

Foto: Andreas Muller
Foto: Andreas Muller
O Axé do Mercado
Axé, essa expressão rebolativa, significa energia, força ou poder no dialeto iorubá, falado pela maioria das nações que compõem o Candomblé. Para os africanistas, o axé do Mercado Público é  parte ativa em praticamente todos os rituais realizados. As ervas, as velas, as imagens, os animais, as roupas, os objetos, enfim, todo o aparato adquirido no centro comercial é tido como especial, pois sai de lá impregnado com os eflúvios do Bará de Porto Alegre.
É também no Mercadão que se completa o ritual de iniciação dos adeptos do Batuque: os filhos de santo são liberados de um claustro de 21 dias e, como primeiro passeio após a reclusão, vão em visita ao Exu mais graduado da cidade. Ali, traçarão um percurso que segue uma lógica esotérica e atirarão sete moedas no centro do mercado, em oferenda de prosperidade, na junção dos vértices das bancas Central, 10, 43 e Do Holandês. Riqueza, fartura e matéria são temas tocantes à pasta de Exu. O Mercado Público não deixa de ser uma enorme e sesquicentenária despensa, que de tudo provê à cidade.
E assim seguirá, por muito tempo. Independentemente da crença, o velho armazém resistiu a outro solavanco. Graças aos bombeiros, com certeza. Pelos auspícios do Bará que o vela, sabe-se lá.
Resistência
Na década de 90, a prefeitura realizou mudanças estruturais no Mercado Público. Uma nova disposição de bancas foi desenhada, escadas rolantes passaram a lamber os níveis internos com seus degraus. À ocasião, houve uma aflição generalizada entre os fieis. Muitos temiam que as escavações previstas desarmassem o assentamento do Bará. Organizações de defesa das religiões afro se mobilizaram, reivindicaram cuidados para a manutenção de certos preceitos. O assentamento teria restado intacto.
Na nova formatação do Mercado, a pedido dos pais e mães-de-santo, a demarcação das floras – lojas especializadas em artigos religiosos – foi repensada. Desde então, existem apenas quatro floras no local: uma em cada entrada do prédio, postadas à esquerda de quem entra, à direita de quem sai. Também foi acordado que nenhum outro comércio desse ramo pode ser instalado no Mercado. Caso uma das floras seja vendida, o novo dono fica impossibilitado de alterar a atuação do negócio.
Em 2013, o Bará do Mercado tornou-se patrimônio imaterial de Porto Alegre, assim aceito pela Secretaria Municipal da Cultura, após iniciativa da ialorixá Norinha de Oxalá. Há pouco tempo foi inaugurado um mosaico em granito, nas cores vermelho e amarelo, encastoado por sete chaves. Ele está no centro do Mercado Público, numa homenagem à divindade.
Evidências
Durante as obras de repaginação do Mercado, curiosos esquadrinharam o solo em busca do Bará. Nada encontraram. Contam que o planejamento previa o reposicionamento da rede de encanamentos e a armação de uma fossa abaixo do centro do prédio. Não teria sido possível realizar o trabalho. As máquinas destinadas teriam estragado, pifado uma a uma, perdido os comandos como aviões se aproximando de um Triângulo das Bermudas de bombacha, pouco acima do Guaíba. A solução: alterou-se o projeto.
O assentamento de Bará, segundo a tradição do Batuque, pode ser feito de diversas formas. Uma pedra, chamada ocutá, tem propriedade para carregar em seu ventre a energia da entidade. A madeira ou um pedaço de ferro, igualmente. Há quem diga que Exu é uma vibração: não se vê, mas se sente. Qual o ar. Mestre Borel, bastião da ancestralidade negra de Porto Alegre, garante ser o Bará um ente mental. Coisa feita de luz, como o pensamento.



quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015








Caminhos da Religiosidade Afro-Riograndense

Batuque, umbanda, quimbanda.Três formas religiosas distintas, mas uma mesma direção


O Nação de hoje apresenta a primeira parte do documentário “Caminhos da Religiosidade Afro-Riograndense”.

O filme é resultado de um trabalho realizado pelo publicitário e cientista político José Francisco de Souza Santos da Silva e pelo mestrando em antropologia social Rafael Deròis Santos. O documentário traça um panorama das religiões de matriz africana praticadas no Rio Grande do Sul e também provoca uma reflexão sobre a importância dessas religiões enquanto patrimônio cultural afro-gaúcho, além de apresentar uma entrevista com os dois realizadores do documentário.




Apresentação: Domício Grillo
Produção Executiva: Vera Cardozo

Parte 2 



Pegue um espiga de milho bem bonita, afaste as palhas e coloque um papel escrito com o nome da pessoa que lhe deve dinheiro.

Feche as palhas, amarre a espiga, pendure acima da porta de entrada de sua casa e diga:
“Vem fulano (diga o nome), vem trazer o meu dinheiro! Vem que eu preciso dele inteiro”.